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Relações Internacionais: uma introdução ao tema

Ao falarmos de Relações Internacionais em meados de 2019, a maioria das pessoas não saberiam dizer muito sobre o assunto. Agora, depois de uma pandemia de proporções globais, certamente a palavra internacional e tudo o que ela representa passou a fazer parte do cotidiano das pessoas. As famosas “Medidas de saúde da OMS- Organização Mundial da Saúde” foram repetidas diversas vezes no combate à pandemia, mas porque deveríamos seguir essas medidas se somos um país independente? É justamente nessas questões que entram as relações internacionais.

Além de um país ter as próprias leis, costumes e tradições, também se insere em um contexto maior: o internacional, que também é regido por alguns acordos e tratados, os quais impedem que um país ataque outro simplesmente porque pode. Dessa forma, as relações internacionais são essas relações entre diferentes países, órgãos internacionais, como a já citada OMS e também a ONU- Organização das Nações Unidas, as ONGs internacionais e as instituições multinacionais, ou seja, como esses ‘atores’ se relacionam.

O Surgimento das Relações Internacionais

As Relações Internacionais como campo de estudo são bem recentes, tendo iniciado com o fim da Primeira Guerra Mundial. Àquela época, a Europa jamais imaginava que passaria por um conflito de tão grandes proporções, com tantas consequências catastróficas. O fim da guerra os fez questionar “ O que fizemos de errado? Como evitar que isso aconteça? ”, assim surgiram os primeiros estudos das relações internacionais. No entanto, os mesmos só atingiram sua consolidação com o fim da Segunda Guerra Mundial.

Uma das maiores representações da ordem alcançada internacionalmente é representada pela Organização das Nações Unidas- ONU e todos seus órgãos derivados. A sua gênese aconteceu no ano de 1945, nos Estados Unidos. Com ela, a humanidade através dos seus Estados, se comprometia em evitar um conflito tão sangrento como aquele, concordando com algumas normas que regulavam a sua própria autonomia, a fim de que se pudessem estabelecer relações harmoniosas entre si.

O Sistema Internacional é o local onde as relações internacionais acontecem e possui uma característica muito importante: é anárquico. Em outras palavras, não existe uma autoridade central que tenha autoridade sobre os Estados Soberanos (como o próprio nome sugere). Mas se não existe autoridade superior aos Estados, o que impede que um país ataque outro? Primeiramente, bom-senso (ou pelo menos é o que se espera rs) e em segundo lugar normas que foram estabelecidas, através de negociações, acordos e tratados. Nestes, os países concordam em pontos comuns e se submetem a eles, tornando-se assim, sujeitos a sanções caso não cumpram com sua palavra.

Relações Internacionais vs relações internacionais

Com isso, chega-se a um importante ponto que separa entendedores de desentendidos: a grande diferença entre RI e relações internacionais. Ainda que tenha exatamente a mesma quantidade de letras as diferenças são as primeiras letras das palavras em maiúscula, existe sim diferença entre esses termos. Relações internacionais referem-se ao que já foi exposto: as relações entre instituições e Estados no nível internacional (sim! Se você percebeu a pegadinha ao colocar o termo no início da frase: Parabéns! Você está atento. Se não tiver percebido: Não se preocupe, agora você sabe). 

Neste caso, elas dizem respeito às conexões que existem entre os países sejam elas de caráteres distintos. As mesmas podem ser relações diplomáticas, estratégicas, políticas, econômicas ou sociais. Tais relações também são globais como a comunicação, transporte, sistema econômico/financeiro e corporações transnacionais, ou seja, aquelas que ultrapassam as fronteiras dos países.

Por outro lado, as Relações Internacionais é a ciência que estuda essas relações. O campo de estudo das Relações Internacionais (RI para os íntimos) é bem amplo. Engloba temas como economia, ao estudar as relações econômicas de Estados e empresas multinacionais, por exemplo, e também corresponde a estudos sociológicos e antropológicos, os quais podem ser relacionados às questões de direitos humanos. Em resumo, é uma ciência que se formou a partir de outras ciências de diversos campos como a Economia, a Ciência Política, a Diplomacia, a Geografia, a Sociologia, a Antropologia, a História, o Direito Internacional, a Filosofia, a Psicologia e os Estudos Culturais.

Esse campo de estudo se desenvolveu criando um conteúdo próprio. Partindo-se do princípio que surgiu para evitar a guerra, foi fundamental a criação de um conteúdo que compreendesse os motivos que levavam um país a entrar em guerra, para assim criar medidas e mecanismos que impedissem isso. Dessa forma, surgiram várias teorias dentro das Relações Internacionais, as quais formularam métodos e conceitos que possibilitaram o entendimento acerca da natureza e do funcionamento do Sistema Internacional.

O Indivíduo e as relações internacionais

Falando dessa maneira, as relações internacionais podem parecer um tema distante, certo? Você provavelmente já se perguntou “O que eu tenho a ver com isso?”. Talvez você já tenha percebido que as relações Internacionais têm grande impacto nas nossas vidas. Por exemplo, o Brasil é um país agroexportador, o que significa que sua economia depende da exportação de produtos agrícolas. Se a demanda por um certo produto no âmbito internacional, por exemplo o arroz, é muito alta, a produção brasileira desse produto vai diretamente para a venda internacional. Com isso a quantidade desse produto fica escassa e o preço aumenta (e você achando que não tinha nada a ver com isso).

Em se tratando da pandemia (novamente!), os tratados de cooperação científica tornaram possível a criação de vacinas para imunizar a população. No caso do Brasil, acordos econômicos com a China foram indispensáveis para o fornecimento de insumos para a fabricação de vacinas. O Instituto Butantan fabricou a Corona Vac utilizando os insumos fornecidos pela China, através de acordos estabelecidos entre os dois países.

Quando falamos de indivíduo não pense que é só você. Estamos pensando também no indivíduo como Chefe de Estado, líder supremo do país, cuja personalidade interfere na percepção dos outros países e pode influenciar diretamente na economia, na questão social e na vida dos nativos de cada Estado. Percebe-se isso quando o Presidente Jair Bolsonaro manifestou seu descontentamento com a China de forma agressiva e infundamentada, provocando dificuldades na produção de vacinas pela falta de insumos, problemas diplomáticos entre os países e fomentando os danos da pandemia.  

Sendo assim, o indivíduo possui um papel fundamental nas relações entre os Estados e precisa ter cautela em relação às suas ações para evitar quaisquer transtornos, independente da natureza. Os países estão mais conectados do que nunca, de modo que os atritos entre os Estados podem ter efeito em larga escala.

Mas, não pense que isto se aplica apenas aos Chefes de Estado, pois com a globalização, as ações dos indivíduos passam a ter cada vez maior impacto, principalmente com o advento das mídias sociais e a rapidez de propagação de informações. Não devemos, pois, subestimar as consequências dos nossos atos no meio internacional. Por exemplo, o Médico brasileiro Victor Sorrentino causou uma grande comoção diplomática ao postar um vídeo fazendo piadinhas de duplo sentido com uma vendedora muçulmana no Egito.

Vale ressaltar que as atitudes do então médico são consideradas assédio em qualquer lugar, a diferença é que isso é um tema banalizado no Brasil, já que nas palavras dele “era apenas uma brincadeira” (isso evidencia a situação preocupante que o nosso país se encontra nas questões de assédio). No entanto, ao colocarmos esse incidente sob uma ótica internacional, em um país com hábitos culturais diferentes, o mesmo foi considerado uma das maiores ofensas em diversos níveis. Assim, a repercussão global do caso acabou refletindo negativamente na imagem do Brasil no exterior.

Considerações Finais

Com tudo que foi exposto, deu para perceber que as relações internacionais e as Relações Internacionais são importantes, não é? E mais do que isso, evidenciou-se também a necessidade que todos nós temos de ser um pouco mais conscientes do que acontece ao nosso redor, seja no âmbito nacional ou internacional. As nossas atitudes individuais devem ser pensadas, de modo a avaliarmos as consequências dos nossos atos e para isso é preciso ter um pouquinho de conhecimento teórico sobre o tema.

Autores

Yasmim Beatriz Marques Alves
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